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20 de dezembro de 2025O encanto do Natal. Com a data se aproximando, comecei a lembrar de alguns natais já vividos, e três deles se destacam, e o final, que é o encanto do Natal.
Então, o primeiro: eu devia ter uns 8 ou 9 anos e já estava na dúvida se o Papai Noel existia ou não. No dia de Natal, no dia 25, que eu acordo, vou à sala e me deparo com um presente imenso, pra mim, né, pra minha altura. Era um cavalete e pendurada por correntes uma cadeirinha de fio, aquelas cadeiras de varanda, de fio verdinha, lindas.
Eu fiquei encantada com aquele presente e me diverti durante muitos anos, uns três anos até eu conseguir sentar na cadeirinha. Com aquele presente, eu tirava a cadeirinha, desenroscava o balanço e me pendurava, fazia acrobacias, ficava que nem morcego de cabeça pra baixo enroscada só com as pernas; minha mãe nem sonhava que eu fazia essas coisas. Muito gostoso ganhar aquele presente.
O segundo: no Natal eu estava com 12, 13 anos e fomos passar o Natal na casa de uma amiga da minha mãe. Lá, chegando muita gente, bem concorrido no sentido de amizades, e uma árvore com uma imensidão de presentes embaixo, e daí começou a distribuição dos presentes: fulano, de repente, Fauzia, jamais imaginaria que eu ganharia um presente na casa daquela pessoa que eu mal conhecia, que era amiga da minha mãe.
E fui lá receber o presente feliz. Era um livro do Machado, José de Alencar, os dois são ótimos, Cinco Minutos e a Viuvinha, e acho que a partir dali deu gatilho eu ser uma fã de leitura.
O terceiro: foi decepcionante, foi na casa de um tio, irmão da minha mãe e também tinha uma árvore com uma imensidão de presentes de todos os tamanhos e daí começou a distribuição nessa época tinha uns 14, 15 anos _ começou a distribuição e fulano e abriu, era bicicleta, cada um mais… faltou o termo, mais mais cabuloso do que o outro, sabe de ostentação, vamos dizer assim e nada pra mim até que no final, lá, acho que era o último presentinho debaixo da cadeira onde árvores estava, sei lá … aqui seu presente, fui pegar o presente… era uma caixinha de lenço, sabe aqueles lencinhos? Antigamente usava muito, três lencinhos com a mesma imagem, cada uma de uma cor, eu recebi um presente daquele, eu senti, sabe parece nos desenhos, a carinha do bichinho, da pessoa derretendo, assim deve ter sido meu semblante de tão decepcionada que eu fiquei.
Depois não ficou nenhum rancor; nada disso passou; vida que segue; depois eu fui entender que também eles não sabiam que a gente ia, última hora e tudo bem… vida que segue.
Agora o meu verdadeiro encanto do Natal: é quando eu tinha uns 3 a 5 anos, vamos colocar assim, e era quando a minha mãe armava a árvore de Natal. Era um acontecimento, né? Abria as caixinhas com as bolas. As bolas me encantavam, aquelas bolas coloridas, verdes, amarelas, azuis, vermelhas e prateadas.
Aquilo, os meus olhinhos ficavam grudados naquela imensidão de cores brilhantes lindas. Eu fecho os olhos e me vejo sentadinha no chão, com aquela coisa mais linda, que era aquela visão daquelas bolas. Isso, sim, foi meu encanto de Natal! Cada um tem o seu; o meu foi esse.
Um feliz Natal a todos que ouvirem e lerem essa história, essa memória.

