
Fui Clarice por um dia
26 de junho de 2026Nasci na zona rural de um município do interior de São Paulo chamado Cândido Mota.
Meu pai Sebastião escolheu como a mulher de sua vida uma prima de primeiro grau e, enfrentando a oposição da família, se casaram. Sebastião e Jovina tiveram 8 filhos.
Meu pai estudou até o terceiro ano, mas era um visionário; fazia coisas que, para sua época, eram inimagináveis.
Ele era engenheiro elétrico e, sem nunca ter estudado, conseguiu levar energia elétrica até nossa casa usando uma motobomba.
Todo final de ano íamos para a casa de meus avós maternos em São Paulo. Era uma viagem deliciosa, todos dentro de uma Kombi, falando ao mesmo tempo, fazendo brincadeiras com as cores e as marcas dos carros que passavam.
Minha mãe levava muita comida. A preferida era um frango cozido. Ele tinha um caldo grosso e bem temperado, e minha mãe colocava farinha de milho, fazendo uma farofa bem úmida.
Sinto o cheiro dele até hoje. Era muito bom; cheirava amor e cuidado.
A viagem demorava 8 horas até São Paulo e pelo menos mais 4 horas dentro da cidade. Não existia Google Maps nem GPS; meu pai se guiava pelas placas até chegar ao bairro. Achava a avenida principal daquele bairro e seguia em frente.
Sempre chegamos na casa de meus avós, a hora não tinha importância, importante era estarmos lá cheios de saudades, de coisas que levávamos, alimentos da roça, como abóboras, milho até carnes de porco e de frango para as festas.

