
Loteria fake
11 de março de 2026Meu pai, Oswaldo de Melo Sylos, era inspetor escolar da Secretaria de Educação do estado de São Paulo, lotado em Penápolis até o ano de 1959, quando foi transferido para Sorocaba.
Penápolis, uma cidade plana. Morávamos no centro perto da igreja matriz. Como era plana, eu, com minha pouca idade, 8 anos, e sem conhecer outras cidades, nunca havia visto ruas com descida/subida.
Com a transferência lá fomos nós, meu pai, minha mãe, minhas cinco irmãs e eu. Fomos de carro, a mudança de caminhão e os vasos de plantas da minha, que não eram poucos e nem pequenos, de trem. Lembro-me dos vasos dentro do vagão do trem da Estrada Noroeste do Brasil, NOB. Foram levados de Penápolis até Bauru, onde foram transferidos para um vagão da Estrada de Ferro Sorocabana, ambas há muito, infelizmente, desativadas.
Chegamos em Sorocaba. Meu pai alugou uma casa na rua Moreira César. Logo comecei a explorar as redondezas. E eis que um dia chego no alto da rua 7 de setembro, a qual termina na praça 9 de Julho, dia em que se comemora a Revolução Constitucionalista, na qual meu pai foi combatente, e meus olhos não paravam de olhar, meu cérebro tentando entender o que acontecia naquela rua.
Trata-se de uma rua ladeira onde os caminhões faziam esforço para subir (naquela época não existia a variante que desvia o trânsito do centro da cidade) e eu, que até então só conhecia as ruas planas de Penápolis, fiquei maravilhado com aqueles caminhões pesados subindo a rua em primeira ou segunda marcha, fazendo aquele barulhão. Ficava um bom tempo contemplando aquela situação inusitada.
Aos poucos o inusitado se tornou comum e meu cérebro já não via mais como algo diferente, até mesmo porque quem conhece Sorocaba sabe o quanto tem ruas com descidas e subidas.
Fragmentos da minha infância.

