
Meu cartão de Natal
20 de dezembro de 2025
Retrospectiva 2025
29 de dezembro de 2025O Natal está novamente aí, batendo na porta, com suas luzes e promessas. Em sessenta anos, ou pouco mais, posso dizer que o modo de comemorar o Natal mudou muito.
Quando eu era pequena, havia muito foco nas tradições religiosas e refeições especiais em família.
Tia Artemia, que morava vizinha de casa, cozinhava castanhas, armava um grande e fantástico presépio e montava uma árvore de Natal com bolas coloridas e reluzentes. Punha velinhas de verdade na ponta dos galhos, mas não as acendia, pois era perigoso. Só fez isso uma vez, por pouco tempo, e foi uma festa para nós, crianças.
Na minha casa não acontecia a famosa ceia do dia 24. Nesse dia, à noite, minha mãe estava sempre atarefada na cozinha, fazendo o tradicional pavê de bolacha champanhe e temperando o pernil que seria assado no dia seguinte de manhã, para o almoço do dia 25. Essa sim era a refeição especial, pois minha avó e minhas tias solteiras , que moravam com ela, vinham almoçar em casa e a presença das visitas era uma festa. Traziam um punhado de bombons Sonho de Valsa, na época um doce de categoria mais cara, e nossos olhos cresciam ao receber o doce lindamente embalado. Nós ganhávamos um brinquedo do Papai Noel, do qual cuidávamos muito, pois brinquedos eram um presente só de datas especiais, ou seja, Natal e aniversário. E ganhávamos um torrone cada um. Na véspera, papai nos levava para colher uma porção de grama e encher um potinho de água para o burrinho do Papai Noel, que deixávamos ao pé da cama, ao lado dos sapatos. Só muitos anos mais tarde conhecemos o Papai Noel que vinha de trenó puxado por renas, e entrava pela chaminé. Ainda bem, pois em nossa casa não havia chaminé rsrs. E aí soube que nossa tradição familiar era de origem espanhola, como meu pai. Fazíamos um esforço danado para não dormir e surpreender o misterioso Papai Noel, mas ele só vinha quando já tínhamos pegado no sono.
Meu tio vinha de São Paulo para as visitas de fim de ano, trazendo bijuterias para as meninas, as senhoras e senhoritas da família. Em nossa rua moravam três tias, e os tios ficavam hospedados para “pousar” na casa de uma tia que morava num sobrado bem grande, mas durante o dia havia muito trânsito entre todas as casas dos parentes da rua. Os tios de São Paulo vinham de terno e achávamos muito chique. No interior, usar terno era, naquela época, traje para casamentos e solenidades.
Depois crescemos, veio a era da televisão e o Natal mudou muito. Ficou mais sofisticado, misturando outras tradições de comemoração e os presentes ficaram mais caros e eram pedidos em carta pelas crianças.
A tradição de reunir a família para o famoso amigo invisível em família surgiu quando me casei , mas meus pais não vinham. Nada de sair à noite e voltar para casa de madrugada. Eu tinha muitos sobrinhos e sobrinhas e era uma festança mesmo, com cada um trazendo um prato especial para a ceia. Os presentes eram modestos, mas que alegria!!!
A ceia foi virando churrasco com o tempo, e depois voltou a ser ceia pois os churrascos ficaram corriqueiros durante o ano.
É, viramos uma sociedade muito consumista e exigente. As crianças nem acreditam mais em Papai Noel depois da primeira infância…

