
Giuseppe Scaletti, meu avô materno – um benzedeiro na marra
11 de maio de 2026Morávamos em um apartamento no 5º andar, em uma cidade à beira-mar. Pequena, com ares de cidade grande, mas próxima à praia, tudo parece bucólico. Trabalhávamos o dia todo e, nos finais de semana, caminhávamos na orla e fazíamos passeios pelas proximidades.
Vida seguia tranquila até que um dia deparamos com uma visita inesperada no banheiro do quarto de casal. Ao abrir a porta, de madrugada, um susto e de repente o Harry estava lá, enorme, batendo as asas, assustado, um lindo Gavião. Fechamos a porta e deixamos ele lá quietinho. Pensamos que de repente, por um motivo qualquer ele resolveu pernoitar por ali, vai que estava passando e reparou que poderia ser uma boa para descansar com segurança.
Porém, isso durou por dias e dias. No início a trabalheira de ter de limpar a sujeira que deixava. Depois colocamos jornal, solução mais prática e que resolveu em parte a situação.
Abandonamos o uso da suíte e fomos para o social. Resolvemos deixar somente para o Harry quando viesse todas as tardezinhas. Ficávamos na expectativa da chegada dele, abrindo a porta com cuidado pra espiar se estava por lá fechando logo após constatar que estava seguro, repousando.
De manhã, sempre olhávamos para o céu azul tentando localizar o Harry voando livre, leve e solto.
Isso durou dias e dias até que precisamos mudar de cidade e, claro que, nos preocupamos com a nossa ilustre visita diária. O que será que aconteceria com ele? Falamos com o proprietário que a princípio concordou em deixá-lo até que novos inquilinos aparecessem.
Partimos acreditando que o Harry, forte, decidido, corajoso, não iria desistir de buscar outro refúgio pra passar as noites. Espaço era o que não faltava.
Porém, só temos que agradecer ao Harry pela confiança depositada em nós. Isso não é pra qualquer um. Obrigada.

